Nos primeiros dias na Big Island, dividimos nosso tempo entre a tentativa de adaptação ao fuso horário local (8 horas a menos em relação ao Brasil), os últimos detalhes de organização e um pouco de turismo pelos pontos turísticos da ilha.
Passados apenas dois dias em Kailua-Kona, já era hora de buscar o restante de nossa equipe no aeroporto.
Eu aguardava bastante ansioso por esse instante. É que um dos motivos desse projeto todo era conseguir trazer meu técnico Almir João Brandalize, da Triax Multisports ao Hawaii.
O Almir é um daqueles técnicos raros que além da competência, oferecem aos alunos inspiração e muito apoio na busca de seus objetivos. Comecei em suas aulas de natação na Cabral Natação e Fitness há cerca de sete anos. Obeso e sedentário, eu nadava na raia do canto, tentando não atrapalha “os nadadores de verdade”. Com muita luta e o incentivo do meu técnico, emagreci, evolui e me empolguei pelo Triathlon. Se não tivesse dado aquele primeiro passo, talvez nunca tivesse mudado a minha vida.
Por isso tudo, trazer o Almir ao Hawaii era uma forma de homenageá-lo e agradecer pela força que me deu através dos anos.
Com os Leis (colares de flores) à mão, fomos todos em estilo havaiano ao aeroporto. Minha mãe e minha namorada usavam vestidos havaianos, sendo que minha camisa havaiana e o vestido de minha namorada eram do mesmo tecido.
Quando apareceram no portão de desembarque, vi o Almir com os olhos marejados, a sua esposa Luciana eufórica, o Jesse e a Thaís rindo. Todos emocionados e com sorrisos de orelha a orelha. Fizemos nossa festa ali mesmo. Havíamos nos visto pela última vez havia apenas quatro dias, mas aquele foi um emocionante reencontro para todos.
No dia seguinte, após um breve passeio pela famosa rua Ali’i Drive, seguimos para o reconhecimento do trajeto da prova.
Começamos pelo local da chegada da natação e seguimos até onde seria a chegada do primeiro dia de prova, no topo do Vulcão Kilauea. No caminho, fizemos um picnic improvisado na beira da estrada, no sul da Ilha. Todos ficaram muito impressionados com a força do vento nesse trecho. As árvores já crescem inclinadas, tamanha a força e a constância do vento no local.
Chegamos ao topo do Kilauea no meio da tarde e, após conhecer a cratera do vulcão, descemos novamente até o litoral, onde ao anoitecer vimos a lava incandescente escorrendo até cair no mar. Um espetáculo indescritível.
Jantamos em uma pizzaria em um pequeno vilarejo no caminho. Todos muito cansados (pelas atividades e pelo fuso horário) e com fome, tivemos um jantar dos mais divertidos. Enquanto jantava, tive a sensação de que mesmo sendo algo corriqueiro, aquele jantar seria um desses momentos lembrados com nostalgia por toda a vida.
Após uma noite de sono no frio do topo do vulcão Kilauea, deixamos nossa pousada e seguimos para conhecer um dos trechos mais lindos do Ultraman: “A Estrada Vermelha”. Trata-se de uma estrada que segue um trecho de costa com penhascos e mar muito agitado. As árvores são muito frondosas e em vários trechos, envolvem a estrada como que em um túnel. Atualmente a estrada é asfaltada (e, portanto, preta), mas o nome vem do solo vermelho da região.

Red Road
Ao final desse dia, voltamos para Kona para o início de nossa semana de atividades da prova. Semana essa que culminaria as 6:30 da manhã de sexta-feira, no píer de Kailua-Kona: a largada do Ultraman.
Na terça-feira à noite, estivemos na “Bike clinic” na loja Bike Works, primeiro evento da prova. Lá tive a oportunidade
de conhecer a maior parte dos competidores e nos explicaram os problemas mecânicos mais comuns enfrentados através dos anos. Foi também o momento de pela primeira vez encontrar pessoalmente com o grande Paulo Calil. Médico do interior de São Paulo, Paulo foi um dos meus maiores incentivadores nessa jornada ao Ultraman. Ao buscar mais informações sobre a prova, a organização me passou o contato do Paulo e nos correspondemos por e-mail desde então.
Na quarta-feira, era o momento do procedimento de inscrição. Portando a grande lista de documentos necessários, fui o primeiro a chegar para me inscrever. Confesso que tive que usar todas as forças para não chorar de emoção quando me entregaram a toca da natação: verde-limão, dizendo ULTRAMAN nas laterais. Nunca vi uma touca tão linda assim!
Entre os demais atletas, o clima era de reencontro. Alguns chegaram com suas equipes com uniformes estampando uma quantidade enorme de logomarcas de patrocinadores. Outros traziam consigo sua própria equipe de filmagem profissional, com direito àqueles técnicos segurando os microfones pendurados no ar, acima da cabeça e tudo mais. Todos os anos, um ou dois atletas tem documentários feitos sobre sua participação na prova.
O momento da inscrição é quando o atleta e sua equipe ouvem as explicações detalhadas dos organizadores. Cada atleta recebe um fichário com extenso e detalhado material sobre o trajeto da prova, orientações em caso de emergência, regulamento, etc. Além, é claro, de uma listagem com o nome e número de cada um dos demais competidores, para que todas as equipes possam incentivar todos os participantes (e prestar ajuda em caso algum deles necessite).
Nas mesas dos jardins do hotel onde os eventos da prova ocorreram, várias equipes se reuniam debruçados sobre os mapas. Alguns com suas equipes sendo filmadas enquanto a cena estilo “plano de batalha” ocorria.
Além do fichário, cada atleta recebe um cooler (tonel de 20 litros) recheado de brindes e produtos para serem usados durante a prova. Souvenires do hotel oficial da prova, vários litros de Gatorate Endurance Formula (a bebida mais salgada do mundo), filtros solares de todos os tipos, esponjas (para se molhar no deserto), algumas caramanholas (garrafinhas plásticas) e vários alimentos, etc… Para mim, abrir aquele tonel foi como abrir o saco de presentes do Papai Noel.
Se a organização da prova é algo que impressiona qualquer um, o cuidado individualizado que cada atleta recebe é algo que surpreende ainda mais. Em todos os eventos da prova, todos o conhecem pelo nome (mesmo antes que você se apresente).
Conforme a semana foi passando, a expectativa pela largada era cada vez maior. Mesmo com tudo já preparado há meses, lembrávamos a cada instante de mais um detalhe a cuidar.
O auge dos eventos pré-prova é o café-da-manhã da quinta-feira. Todos os atletas e suas equipes estão lá. Após um breve simpósio técnico, são apresentados alguns slides sobre o trajeto e orientações. Finalmente, o locutor oficial da prova, apresenta cada um dos atletas participantes.
Ao ser apresentado, o atleta se levanta e recebe a bandeira de seu país. O texto preparado pelo locutor sobre cada atleta é personalizado, muito bem escrito e emocionante.
Na minha vez, ele disse:
“O próximo atleta transformou o seu estilo de vida e agora ele vive o que pode ser chamado verdadeiramente de um estilo de vida TRILOSÓFICO. Senhoras e senhores, do Brasil, vamos dar as boas vindas a Mario Maddalozzo”.
“ The next athlete has changed his life style and now he lives a lifestyle that could be truly called a TRILOSOPHYCAL life style….lady and gentleman..from Brazil, please welcome Mario Maddalozzo.”
Não preciso nem dizer que dei “uma engasgada” nessa hora. Hehehe.
Também nesse dia conheci o nosso grande campeão Alexandre Ribeiro. Ele foi enormemente atencioso e veio especialmente nos procurar ao final do evento para passar algumas orientações para eu e meu técnico. Ele respondeu todas as nossas dúvidas e nos passou ainda mais motivação. Humilde, atencioso, tranqüilizador e gentil, Alexandre demonstrou o comportamento de um verdadeiro campeão.
De volta à casa, restava uma tarde para terminar de arrumar os últimos detalhes. Naquela noite deitei a cabeça no travesseiro e fiz um relaxamento para conseguir dormir. Passada a sensação do “coração saindo pela boca”, consegui dormir uma boa noite de sono.











Olá Mário
Estou acompanhando se relato com muita emoção !
Chego a arrepiar! Será que daria para ver um desses filmes da prova que vc falou que fizeram ? Eu ia adorar pois nem imagino como seja.
Um Abraço
Angela
Querido Mário!!!
Antes de mais nada, Feliz Ano Novo =)
Que 2010 seja um ano cheio de saúde, coisas boas e realizaçõe!
Agora sim, peço desculpas pela “desnatureza” desta sua amiga
Na minha correria de final de ano (que foi mais uma escapada do que uma maratona), acabei não conseguindo ter uma folguinha em frente ao computador e, com isso, esqueci de acompanhar a atualização dos acontecimentos…
Shame on me…
Sinto por não ter te dado apoio ou conforto no momento oportuno.
Mas estou orgulhosa de saber que, além de toda a garra que teve para treinar e encarar esse desafio, você teve sabedoria para reconhecer o seu limite. Agora é, literalmente, correr em busca da superação!
Um beijo enoooorrrme
Tati