Acredito que apenas pelas minhas palavras, quem estiver lendo esse texto perceberá o estado de adrenalina e empolgação em que me encontro. É até difícil encontrar a calma necessária para o ritual que é escrever.
Agora restou apenas uma lista de uma folha de tarefas por fazer. Desde o começo do ano, além dos treinamentos, foram quase mil tarefas de organização (literalmente, pois eu mantive um registro).
Desmontar a querida “Lady Wind” (nome de batismo da minha bicicleta) em tantos pedaços e prepará-la para o transporte aéreo, revisar as últimas reservas e organizar tantos itens a levar. Não gosto de viajar levando bagagem demais. É uma questão de orgulho de quem já viajou muito como mochileiro. Mas nessa viagem, não há o que fazer. Fazer uma prova longe de casa é bem mais complicado. Nessas horas, sinto saudade dos finais de semana de verão em que vou apenas nadar as provas de travessias, onde os itens essenciais são apenas dois: óculos e sunga.
Sobre a prova, a ansiedade é normal e necessária. Para combatê-la, reli muitos textos sobre treinamento de ultra-distância, estratégias de prova e preparação psicológica. Todas dizem a mesma coisa: fizemos nossa lição de casa.
Agora falta ir lá e batalhar até conseguir tudo o que sonhei. Só vou relaxar mesmo, se Deus permitir, quando cruzar a linha de chegada do Ultraman. Até lá, sigo batalhando sem tirar os olhos do objetivo, mantendo o estado em que estou desde janeiro desse ano. Um ano inteiro é muito tempo para prender o fôlego. A sensação que tive durante todo o ano, com tantos treinamentos e tarefas, foi o de estar mergulhado no Ultraman e meu fôlego tem que durar até o dia seguinte ao término da prova.
Muitos têm me perguntado sobre minha estratégia. Nessas horas, sempre recordo a história do lendário triatleta Mark Allen. Um verdadeiro fenômeno do Triathlon, Mark Allen foi um atleta à frente de seu tempo pelas técnicas de treinamento e estratégias que utilizou. Desde 1984, ele utilizava o método de Phil Maffetone, que propôs a Allen que treinasse menos duramente pelos menos três meses de cada ano. Essa abordagem, que incrivelmente muitos atletas, por desconhecimento ou teimosia, ignoram até hoje, garantiu a ele uma carreira de enorme sucesso e principalmente muita longevidade. Ele foi triatleta profissional por impressionantes 15 anos, encerrando sua carreira ao vencer o Ironman World Championship Hawaii pela sexta vez, aos 37 anos de idade.
Mas mesmo com enorme sucesso nas provas de meio-ironman e no triathlon olímpico, Allen competiu seis vezes no IronMan Hawaii entre 1982 e 1988, sem conseguir o título.
Com o tempo e os fracassos consecutivos, ele percebeu que começou a sentir uma abordagem mental negativa de toda a experiência envolvendo o IronMan Hawaii. O relevo, o vento e a temperatura, causavam-lhe desconforto apenas em relembrá-los.
Nas seis provas em que não obteve êxito, Allen treinou tão forte quanto achava necessário. E no dia da prova, empenhava o esforço que julgava necessário para vencer. A cada ano, seu desempenho evoluía, mas até então nada havia sido suficiente.
Foi aí que, durante a preparação para o IronMan Hawaii de 1989, Allen transformou sua atitude mental. Ele desconstruiu a abordagem mental negativa criada pelos fracassos anteriores e treinou mais forte do que nunca. Mas o fator decisivo talvez tenha vindo de sua decisão de não mais limitar sua capacidade. Ele decidiu parar de “apenas fazer o que julgava necessário” para vencer a corrida. Ao invés disso, simplesmente decidiu que naquele ano faria “o que fosse preciso” (em inglês: “Whatever it takes”).

E com isso, em 1989 ele venceu seu primeiro IronMan Hawaii. Feito repetido por ele durante cinco anos consecutivos, entre 1989 e 1993.
Humildemente, procuro lembrar as lições de Mark Allen ao pensar em minha estratégia de prova. Por isso, quando for dada a largada quero deixar os cálculos e todo o planejamento para trás. Após a largada ao amanhecer do dia 27 de novembro e durante os três dias do Ultraman, minha estratégia é simples: vou correr até sangrar e nem assim vou parar. Vou fazer tudo “o que for preciso”. E se Deus quiser, estarei na linha de chegada antes do anoitecer do dia 29.


É isso aí Mário. Estamos com você. Que alegria e incetivo acompanhar a sua trajetória!
Abraço, e sempre … “Whatever it takes”).
Fábio.
É isso aí Garoto !
Gostaria que soubesse que vc está me dando uma lição de força e determinação, pois andava desanimada com as dificuldades que a idade está trazendo, dores , fadiga,desânimo, etc.Depois da tua palestra, resolvi encarar e Whatever it takes, pode ter certeza que penso nisso cada exercício, ou dificuldade que eu sinta e será assim sempre por acreditar que tambem conseguirei.
Obrigada pelo exemplo e ” BOA SORTE “grande guerreiro.
Um abraço
Angela Fucci
Manda ver fera, torço mto por vc! Conheci sua trajetória ao ver sua palestra e hoje vc é um grande incentivo para mim e outros colegas do meu trabalho!! Desejamos muito sucesso a vc! Abrazzz, PETREK.
força,Marião!! estamos na torcida,!
na natação,como em Inhatomirim,vc vai dar um show!! abraços Tio Dirceu e companhia
Caro Mario,
Meus sinceros votos de Boa Sorte e Superação !
Já anotei no meu calendário a data da largada, estarei acompanhando e torcendo para que tudo de certo e vai dar certo !
Teddy Jones.
Marião:
Você já é um ultraman mesmo antes de completar a prova. Eu, como sua irmã me sinto orguhosa! Como muitas pessoas adorei a sua palestra. É muito gratificante ouvir as pessoas repetindo frases que você falou e que marcaram cada um de formas particulares. Você é um ultraman por ter plantado uma semente positiva na mente de tantas pessoas.
Nós todos, estaremos com você em pensamento e orações nos três dias de prova~.
Ana Paula, Paulo Roberto, Paulo Eduardo e Luís Paulo
Whatever it takes!