O treinamento para qualquer prova é uma série de estímulos, seguidos de recuperação. O treino estimula os músculos a se fortalecerem e a recuperação é o período em que você efetivamente recebe esses benefícios.
Mas se o treinamento é feito das sessões de treino e de repouso, não pense que se estiver apenas repousando “já está fazendo metade do trabalho”!
Por outro lado, apenas treinar sem o descanso proporcional necessário pode levar ao fenômeno chamado de “Overtraining” (ou Excesso de Treinamento).
O “Overtraining” é quando excedemos o limite no qual o corpo pode se beneficiar do treinamento. Treinar além desse ponto trará perda de condicionamento e não o contrário. Além de prejudicial ao treinamento, “Overtraining” pode apresentar sintomas como tontura ao se levantar, fraqueza e baixa de imunidade.
Para evitar o “Overtraining”, normalmente apenas acompanhar as orientações do seu treinador já é mais do que suficiente.
Mas o seu treinador normalmente não sabe em que dia você trabalhou doze horas seguidas, quando você dormiu bem menos do que deveria, quando andou se alimentando aquém do necessário ou quando está estressado ou esgotado emocionalmente. Todos esses fatores, associados ao seu treinamento, podem levá-lo ao “Overtraining”. Por isso, é tão importante que o atleta tenha consciência corporal e consiga monitorar seu próprio corpo.
O treino para o Ultraman por seu grande volume e exigência física, flerta com o “Overtraining” a todo instante. É por isso que nesse tipo de prova, o monitoramento é muito mais intenso e preciso, seja por parte do treinador, da nutricionista e também do próprio atleta.
Eu, por exemplo, sei que nas raras ocasiões em que consigo dormir cerca de 30 minutos após o almoço, apresento recuperação muscular extremamente rápida. Esse é um hábito muito adotado em várias regiões do mundo, mas que por minha rotina diária, raramente consigo colocar em prática.
O que pouca gente sabe é que existem vários métodos para monitorar o seu estado físico e evitar o “Overtraining”.
Eu costumo utilizar um método aprendido no livro “Lore of Running” de Tim Noakes.
Inicialmente, meça sua freqüência cardíaca em repouso total pela manhã (antes de levantar da cama). Anote o valor em um caderno deixado ao lado da cama. O ideal seria medir esse valor em uma semana que você esteja de férias dos treinos, mas medindo-a com freqüência, logo perceberá qual é a sua Freqüência cardíaca “normal” em repouso.
Procure também anotar o número de horas que dormiu na noite anterior, a sua percepção do cansaço e o que mais considerar importante sobre seu estado físico geral.
Após alguns dias, começará a perceber que sua freqüência cardíaca é ligeiramente maior nos dias em que dormiu menos ou quando teve uma dura sessão de treinos no dia anterior.
Se, em determinada manhã, sua freqüência estiver até cinco batimentos acima de sua freqüência normal em repouso, procure treinar apenas no período da tarde. Se sua freqüência estiver dez ou mais batimentos acima de sua freqüência normal, acenda o alerta, pois talvez seja melhor treinar muito leve ou não treinar naquele dia.
Esse método precisa ser usado com consciência e comedimento. Assim como não devemos ignorar sinais claros de excessos, o uso do método não pode virar uma inesgotável fonte de desculpas para se abraçar com a preguiça.

