
Encarar um desafio como o Ultraman está se mostrando mais do que apenas superar uma dura rotina de treinos. A atenção aos sinais do próprio corpo, rotinas de treinamento e aspectos de alimentação, mostram-se tão importantes quanto o treinamento em si. Gostaria de compartilhar um pouco do que tenho aprendido na prática com vocês, pois essas pequenas atitudes tiveram enormes resultados em minha rotina:
Alimentação:
Quando você está treinando para uma prova de maior envergadura, o cuidado com a alimentação é fundamental.
O emagrecimento ocorre somente em um delicado limiar. A queda na quantidade de calorias ingeridas pode facilmente levar a uma baixa abrupta em sua imunidade ou à dificuldade na recuperação muscular após os treinos.
Da mesma forma, alguns minerais e vitaminas passam a merecer especial atenção.
“Impacto é bom para os ossos”
É muito comum, por exemplo, o surgimento de fraturas por stress em pessoas que treinam apenas em esteira. O fortalecimento ósseo depende da ingestão de proteínas e cálcio, associados à exposição à luz solar e ao impacto aplicado que a corrida traz. Muitas vezes, as mulheres são ainda mais susceptíveis a esse tipo de problema porque, sempre querendo perder algumas gramas, acabam comendo menos durante a semana para compensar as saidinhas da dieta ou a ingestão de bebidas alcoólicas no final de semana.
As esteiras normalmente possuem sistema de amortecimento, que acabam por restringir o benefício que o impacto traria aos ossos. Somando a isso uma dieta com pouca carne e leite, e o fato de que correndo na esteira você normalmente não está tomando sol… Faz-se uma receita para o enfraquecimento ósseo.
O tratamento para fortalecimento dos ossos, por exemplo, pode parecer estranho. Mas costuma estar na ingestão de leite ou outras fontes de proteína e cálcio, associados com a exposição à luz solar e a corrida na rua ou o exercício de pular corda. Por isso, o impacto e os treinos ao ar livre são tão beneficiais ao corpo humano.
“Até triathleta pode ficar anêmico”
A deficiência de ferro é também bastante comum. Quando você está passando por uma rotina de treinos muito extenuante, o ferro presente na alimentação cotidiana normalmente não é suficiente.
Eu, por exemplo, como pouca carne vermelha durante os dias de semana. Embora goste bastante de carne vermelha, a considero um pouco mais pesada no sistema digestivo e por isso acabo evitando, já que sempre tenho um treino planejado para o final da tarde. Assim, acabo por dar preferência à ingestão de carnes brancas. Para piorar a situação, não tenho costume de comer feijão. Sendo assim, eu seria um forte candidato à carência de ferro (anemia).
Minha sábia nutricionista, Sandra Trevisan, avaliou esse problema em meus exames de sangue e sugeriu algumas medidas que adotei no meu dia a dia. O suco de couve com laranja é uma combinação ideal para a fixação do ferro no organismo. O ferro da couve recebe o auxílio da vitamina C da laranja, para ser mais bem absorvido e fixado.
Também agora as minhas saladas passaram a incluir a proporção de 50% de folhas cruas de espinafre e o “Penne ao molho branco com brocoli” tem marcado presença em nossa mesa.
Alimentação e hidratação nos treinos
Nos treinos, o consumo de carboidrato a cada 45 a 60 minutos é uma boa medida para evitar o desgaste muscular.
Embora de rápida absorção, procuro evitar o consumo excessivamente freqüente de gel de carboidrato durante os treinos. Dou sempre preferência às barras de cereal, sanduíche ou batata cozida com casca (temperada com sal e ervas finas).
“Valorize a culinária local”
Nos treinos mais longos, procuro prestigiar os comerciantes de beira de estrada. No Paraná, em especial na região dos Campos Gerais, a qualidade da alimentação nas paradas de beira de estrada me surpreendeu muito.
No topo da Serra em São Luiz do Purunã, há cerca de 40 km de Curitiba, há uma lanchonete que serve um gigantesco e delicioso pão de queijo. Parece uma bola infantil de futebol de salão! Outro dia, cheguei a levar um no bolso de trás da camisa de ciclismo para que pudesse compartilhar aquela delícia com a família. Lá servem também pedaços de bolo de fubá e outras iguarias que vencem com folga a disputa contra qualquer alimento de treino.
Há 60 km de Curitiba, no posto Ravanello, o x-salada deixa para trás muitas sanduicherias badaladas que já fui. Lá eles servem também um PF (prato feito) de polenta com chuleta, cebola refogada e lingüiça calabresa. Mas confesso que esse último prato nunca tive coragem de encarar, pois nesse ponto da estrada sempre tenho pelo menos mais 100 km de treino pela frente. Não bastassem todas as opções, você pode entrar todo sujo de fuligem da estrada, suado e vestido em lycra que ninguém acha estranho!
Já no caso da hidratação, se não quiser comprar nada, lembre que em tempos de estradas pedagiadas, há serviços gratuitos à sua espera. Aqueles “Centros de Assistência ao Usuário” localizados ao lado das praças de pedágio sempre possuem água mineral ou filtrada grátis e até café. O café só deve ser usado na volta para casa, pois a ingestão excessiva de cafeína pode induzir à desidratação.

Bacana, Mário.
O esporte é sensacional – também – por isso, né? Nos apresenta uma percepção diferente sobre as coisas, seja sobre o nosso corpo ou nossa mente ou, como no seu relato, sobre a alimentação e o próprio ambiente. É preciso equilibrar tudo e cuidar de cada instante. Aí, o que é aparentemente banal pode fazer parte de algo extraordinário e a rotina tornar-se surpreendente.
Embora eu faça essa viagem pelo menos uma vez por semana há quase dois anos, parei apenas duas vezes nos postos do percurso, mas nunca experimentei (pois tampouco conhecia a fama) essas iguarias.
Obrigada por compartilhar suas percepções.
Amanhã vai ter pão-de-queijo-bola-de-futebol-de-salão na minha viagem.
Abraço
Thais
Gigantesco Mário,
Sugestão italiana para treinos pesados: polenta com ovo … carboidrato com proteína.
Tenho certeza que sua nutricionista não pensou nesta combinação perfeita …
O complicado é carregar a polenta “quentinha” nos treinos … precisa de um carro-restaurante de apoio.