Preciso desculpar-me com meus fieis leitores (Obrigado, Mãe, por ter acessado meu blog 258 vezes na última terça-feira!).
Estive algum tempo ausente das postagens.
Mas a desculpa é válida e até bastante atual: estive com a famosa Gripe A!
Antes de tudo, preciso rebater o argumento daqueles que cresceram acreditando que “esporte faz mal”. Por isso, preciso alertar que não há qualquer relação entre a minha iniciativa de correr debaixo de chuva e frio descrita anteriormente (se não leu esse texto anterior, clique aqui) com o totalmente não correlato fato de ter ficado doente!
Se você conhece alguém gripado em Curitiba, a probabilidade dessa pessoa estar com a gripe A é de 70%. A gripe A está substituindo o vírus da gripe convencional. Exame aqui, só serve mesmo para souvenir, pois a cura precisa chegar bem antes do exame ficar pronto. (clique aqui para quadro com sintomas que diferenciam a gripe comum da gripa A).
As pessoas de outras partes do país não têm idéia de como a coisa está por aqui. Shoppings, cinemas e bares vazios; muita gente de máscara pela rua… se tossir num restaurante, todo mundo te olha como se estivesse espancando um idoso (foi a coisa mais terrível que consegui pensar no momento).
Mas infelizmente, não é de se estranhar que esse vírus esteja fazendo a festa para se espalhar pelo Brasil.
Lembro que em 2004, quando estive a trabalho na China, o surto de gripe aviária estava no seu ápice. Em todos os aeroportos, estações de trem, rodoviárias e até nas principais estações de metrô, havia autoridades sanitárias monitorando cada um dos passageiros que chegavam ou partiam. O monitoramento inicial era feito com câmeras de leitura térmica, os passageiros com febres eram imediatamente isolados para atendimento médico e dependendo do caso: internação e quarentena obrigatória. Já os passageiros de regiões com mais casos, recebiam seleção mais rigorosa antes de embarcar em trens para outras partes do país.
A China é um país em que não há como evitar “aglomerações de pessoas”. Em qualquer calçada de Shanghai ou Hong Kong, você divide o metro quadrado sob seus pés com ao menos outras cinco pessoas. É tanta gente que quem não está acostumado chega ao final do dia querendo se trancar sozinho no seu quarto de hotel, pensando: “esse espaço é só meu, todo meu”.
Mesmo assim, o governo chinês conseguiu estancar a gripe aviária e evitar que os casos se espalhassem por toda a sua população.
Aqui no Brasil? Bem, sempre guardo um recorte de jornal da época em que, após o fatídico 11 de setembro de 2001, houve suspeita de cartas contendo Antrax sendo enviadas pelo país.
Dois sujeitos usando trajes especiais recolhiam a carta suspeita em um recipiente à prova de armas biológicas. Enquanto isso, há dois metros do perigoso local, funcionários observam a cena com as mãos nos bolsos e fazendo piadinhas. O pior é o sujeito reclinado confortavelmente sobre a motoca de entregar telegrama, observando tudo com sorriso maroto.
O brasileiro nunca acredita que esses “problemas modernos” que passam na TV vão chegar até ele.
Por aqui, já não há grupos de risco, como aquele seu amigo que acaba de retornar de Cancun. Qualquer um pode estar infectado.
Eu acredito que tenha pegado a gripe de minha sobrinha de seis anos de idade.
Ela esteve num aniversário infantil e ficou doente quatro dias depois. Outros quatro dias depois, quase todas da família também estavam doentes.
Febre, calafrios, dor no corpo, tosse seca, etc…um inferno. Fiquei isolado em casa até estar curado e ter passado o período em que poderia transmitir o vírus a mais alguém.
Eu nunca havia ficado doente por uma gripe por mais que um ou dois dias. Dessa vez fiquei ruim por quase sete dias. Graças à Deus, estamos todos curados e nenhum de nós chegou a precisar do famoso remédio “Tamiflu”.
Mas quem precisar de Tamiflu pode “ficar tranqüilo”, pois o governo federal decidiu tirar o medicamento do mercado e da rede particular de saúde. Se precisar do medicamento, o governo “se responsabiliza pela sua vida” (ai, que medo!).
Por outro lado, minha preparação psicológica para o Ultraman, recebeu um pequeno reforço com esse episódio todo.
Como toda odisséia, a minha jornada ao Ultraman tem mostrado todas as etapas clássicas. Uma das principais etapas é aquela em que enfrentamos o “abismo”, onde parece não haver esperança….
Durante os dias em que estava doente, tive o momento clássico em que o protagonista da história “duvida de si mesmo”.
No meu caso, eu não tinha dúvidas de que ficaria bom novamente. Mas por algum motivo, enquanto estava doente, nas vezes quando refleti sobre o trajeto a cumprir do Ultraman, cheguei a duvidar de mim mesmo!
Espero que ninguém me entenda mal. O respeito à prova é algo sem tamanho em mim. Embora ainda não esteja preparado, até aqui nunca havia duvidado de que, fazendo todo o dever de casa, conseguiria vencer o desafio.
A minha percepção distorcida pelo meu estado debilitado, fez-me duvidar de que seria digno do desafio, fosse aquele o dia da largada do Ultraman.
Preciso aceitar o fato de que, não seria possível completar o Ultraman se contraísse a tal gripe A na véspera da prova. Embora acredite que “Limites são crenças opcionais”, acho que aí encontrei um limite.
Finalmente, concluí que fui abençoado com essa doença agora. Todas as peças vão se encaixando em seus lugares. Agora imunizado contra essa temida doença, percebo que o universo conspira a meu favor.
Nada me tira daquela linha de largada no píer de Kailua-Kona, em novembro. Nem a gripe A.



Adorei o post! Conecta vários temas de forma informativa e divertida. Beijos!
Mário,
Fico feliz que esteja bem!!!
E que venha o Ultraman!!